29.5.09

Sempre tem uma canção ( um mini conto)

- Bem que daria um samba - ela disse. Lamentava-se por não ser correspondida, por ele não querer de sua boca os beijos, os sorrisos, mas só as suas palavras. Ela era toda prosa mas isso não lhe bastava. A verdade é que o ego nos prega peças horrorosas e, ser desdenhada por quem nunca notara, era cruel de mais.
Noutro dia, saiu um lindo sol, ela lavou os cabelos, pegou seus óculos escuros e saiu cantarolando um clássico dos Stones.
Pronto! Do samba ao rock - estampou-se um sorriso ao cantar que não era a única na devoção.
Nunca foi dada às grandes paixões, sob um signo de ar, prefere o outono ao verão. E agora era mais que a hora de voltar-se para si, aproveitar a maré para navegar solo, como o Klink. Ainda não era inverno, mas lembrou de uma da Calcanhoto: "... lá mesmo esqueci que o destino sempre me quis só, no deserto sem saudade, sem remorso só, sem amarras, barco embriagado ao mar..."

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